PALAVRA AMIGA DE UM AMIGO

 

"Bosco: um servidor público exemplar. Desejo referir-me, neste texto, ao AFRF João Bosco Barbosa Martins, recentemente removido, a pedido, para Fortaleza (CE), a terra adotou como natal. Ao nos conhecermos, identificamo-nos, de chofre, por um interesse comum: o estudo do mentalismo e a admiração pela obra do filósofo Napoleon Hill. Bosco é uma personalidade polimórfica. Citarei a seguir algumas das múltiplas atividades que ele exerceu nesta 4ª RF. Foi gestor de segurança de sistemas; gestor do SIEF; divulgador do correio corporativo eletrônico; criador da campanha de divulgação de mensagens inspiradoras, chamadas "era uma vez"; divulgador da Gnose; divulgador do Dalai-Lama; divulgador do mentalismo; divulgador da campanha da Paz; criador da inédita campanha de educação disciplinar; assessor para assuntos de direito administrativo disciplinar; presidente de inúmeras comissões de sindicância; mestre de cerimônias dos eventos da SRRF04; autor de artigos sobre direito administrativo; autor de textos para o periódico "Integração" e "O Logístico"; instrutor da ESAF etc., etc., etc. Muitas vezes, com carinho fraternal, ele me auxiliou em momentos profissionais dificílimos. Quero descrever apenas duas curiosas situações em que ele revelou seu imenso companheirismo. Após violenta discussão verbal que tive com determinada servidora, pedi auxílio emocional a Bosco, que me aplicou um "passe" magnético-espiritual a fim de libertar-me do choque mental. De imediato, senti-me aliviado, mas ele assumiu-me o padecimento. Ele tomou para si mesmo minhas dores. De outra feita, caminhávamos pelas ruas do Recife quando fomos abordados por um ancião paupérrimo, que veio nos implorar um auxílio material que lhe amainasse a fome de dois dias. De um jacto, Bosco entregou-lhe dinheiro. O homem desatou a chorar, penhoradamente agradecido ao benfeitor, enquanto o compassivo Bosco também irrompia em pranto. Não é fato, todavia, que não tenhamos tido divergências. Nossas diferenças eram profundas. A primeira delas consistia na abissal diferença de atitudes. Ele mergulhava, de corpo e alma, nas situações e nos relacionamentos, e muitas vezes saía feridíssimo. Fiel seguidor dos mandamentos do Divino Herói Crucificado, Bosco foi um modelo de servidor para esta 4ª RF, completamente desprovido de empáfia, dessa maldita empáfia que embota os olhos de tantos. Bosco soube sonhar, nesta geração bastarda, glórias e liberdade. Agora, à distância, compreendo a angústia machadiana dos versos que lhe dedico: "Trago-te flores - restos arrancados da terra que nos viu passa unidos".

 

(Petrúcio Alencar – AFRF – Chefe Substituto da Divisão de Tributação da SRRF04).

 

 Página Principal

Palavra Amiga